Opium, da Yves Saint Laurent, apesar de seu nome provocador, é uma fragrância que usa flores, especiarias e madeiras de inspiração oriental.

Não demorou a se tornar o perfume mais vendido e famoso da Yves Saint Laurent. Quase 40 anos após seu lançamento, ainda é uma das fragrâncias mais míticas e emblemáticas de todos os tempos.

Descubra tudo o que você precisa saber sobre esse grandioso perfume: sua história, sua composição aromática, qual é o cheiro e o que dizem as pessoas que o usam.

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Ecos do Oriente com Opium, da Yves Saint Laurent

O Opium original de 1977 era uma mistura floral complexa temperada com especiarias, frutas secas, resinas e madeiras. Graças a ele, renasceu com força a família de perfumes orientais, com uma densidade própria dos anos 80.

Sua natureza barroca, suntuosa, misteriosa e pastosa entrelaçava uma longa lista de notas aromáticas em uma sinfonia riquíssima em movimentos, nuances, profundidade e sofisticação.

Sua fragrância primeiro se exibia com notas cítricas, cravo-da-índia e especiarias, para depois entrar em um coração defumado, picante e atordoante, com cravo (flor), mais especiarias e outros óleos florais. Tudo isso sobre um fundo animal e resinoso de madeiras aromáticas, âmbar cinzento, olíbano e mirra.

Em 1979 conquistou o favor do FiFi, que o nomeou a melhor fragrância feminina de luxo do ano. Em 1993 entrou para o Hall of Fame dos perfumes mais conhecidos e vendidos de todos os tempos.

Desde seu lançamento, Opium, da Yves Saint Laurent, sofreu constantes reformulações. Algumas se explicam por questões legais e ecológicas, como a repentina escassez do sândalo de Mysore ou a proibição do uso do âmbar cinzento. Outras se explicam por questões econômicas, como as flutuações de valor de algumas matérias-primas mais raras.

Mas o golpe final e definitivo veio por razões sanitárias: a necessidade de se adequar aos padrões internacionais de perfumaria e evitar o uso de substâncias alergênicas cada vez mais reguladas e controladas.

A fórmula original usava grande quantidade de eugenol, uma substância potencialmente alergênica presente no óleo de cravo-da-índia e de rosa, que precisava ser corrigida. Também eram usadas outras substâncias, como o linalol e o limoneno.

Ficava cada vez mais difícil salvar a fórmula inicial e preservar sua essência. A batalha estava perdida. Em 2009, a Yves Saint Laurent anuncia a reformulação oficial do perfume Opium. A marca descontinua definitivamente a versão antiga, ou o que restava dela.

Como hoje é muito difícil conseguir a formulação original, vamos ver com mais detalhes qual é o cheiro da versão reformulada, que você encontra hoje nas perfumarias.

A que Cheira?

A nova composição, mais delicada, é construída com resinas doces, essências florais e incensos.

Suas três grandes modificações: reduzir o protagonismo do cravo, suavizar a marcante personalidade especiada do original e dar mais ênfase à sua natureza defumada, com incensos ricos e opalescentes.

Sentem-se falta notas como a ameixa, o cravo-da-índia, o pêssego, o láudano, o coco e a potência animal do âmbar cinzento. De cara, o resultado se parece apenas ligeiramente com a fragrância original, apesar de levar o mesmo nome, mas aos poucos é possível perceber a conexão hereditária entre as duas.

No início dessa reformulação, usa-se principalmente a tangerina e a bergamota temperadas com uma nuance especiada de pimenta que traz textura a uma saída cintilante. Essas primeiras sensações elevam os tons da fragrância e depois te transportam para sua natureza essencialmente floral, resinosa, aveludada e defumada.

A faceta exuberante do Opium se revela através das flores que formam seu coração. Sua estrutura floral tem uma refinada qualidade saboneteira que, em conjunto com as notas defumadas e o toque terroso do patchouli, transborda pura classe.

O sensual e cremoso jasmim e a picância do cravo se acompanham do toque oriental e inebriante da mirra e se complementam com as madeiras aromáticas e demais resinas.

O fundo acrescenta uma lembrança viciante e um caráter grudento na pele com uma mistura de resina de opopanax, baunilha, patchouli, incenso e âmbar. O resultado é balsâmico e doce, permeado por fumaças, com uma fixação e intensidade dignas de seu antecessor.

O Opium, aliás, ocupa o 5º lugar na lista dos 20 perfumes femininos que mais duram na pele.

que cheiro tem

Antes encontrávamos a imagem romântica do Extremo Oriente engarrafada em um frasco de perfume. Hoje restam apenas seus ecos. Mas deixando de lado a nostalgia e o apego emocional ao passado, a nova versão tem méritos próprios.

A fragrância se depurou da imagem narcótica e escandalosa de seus primórdios, mas continua mostrando o principal, um exotismo intenso e sensual que conquistou seu público. Tecnicamente, também é um bom perfume, perfeitamente orquestrado e equilibrado.

Pode ter carga demais para garotas jovens, e provavelmente vai agradar mulheres um pouco mais maduras, ainda mais se forem amantes de perfumes com incenso. Seu cheiro levemente masculino e sua essência balsâmica o transformam em uma boa escolha também para homens.

Pode ser usado como fragrância do dia a dia em todas as épocas do ano, embora no inverno revele todo o seu charme. É indicado para noites e eventos por sua composição exótica, que chama atenção com facilidade.

Opiniões sobre o Perfume

A taxa de aprovação do perfume atual é excepcionalmente boa: 77%. O que significa que quase 8 de cada 10 pessoas que o experimentam consideram seu cheiro rico.

A reformulação polariza opiniões extremas de amor e ódio. Os fãs mais fiéis do antigo Opium, da Yves Saint Laurent, odeiam a nova versão com todas as forças.

Mas quem não era exatamente admirador do original, por considerá-lo cansativo, escandaloso e com um cheiro “fora de moda”, se mostra receptivo a essa nova formulação.

As pessoas mais jovens que não conheceram o original, ou têm apenas vagas lembranças de como ele era, também têm uma postura mais aberta à reformulação, embora algumas o achem intenso demais.

O que fica claro é que o novo perfume Opium está destinado às comparações. Uma sorte triste, já que as comparações podem se tornar injustas quando nos impedem de avaliar um perfume em si mesmo, com seus próprios méritos e deméritos.

Uma das características dessa versão mais apreciadas pelos consumidores é o equilíbrio entre suas facetas mais contemporâneas e seu lado mais tradicional. Seu cheiro permanece na esfera clássica, mas já não é percebido como algo dos anos 80, e ao mesmo tempo não se revela moderno demais.

As pessoas costumam descrevê-lo como um perfume forte, exótico, agradável, sexy, quente, rico, elegante e misterioso. Seu cheiro, por sua vez, se classifica como oriental, doce, floral e defumado.

Notas Aromáticas

As notas e acordes da composição que as pessoas detectam com mais facilidade são, respectivamente:

  • Incenso
  • Mirra
  • Especiarias (mistura)
  • Flores (mistura)
  • Patchouli

O Frasco

O frasco original de Pierre Dinand foi inspirado nos inros, pequenas caixas de madeira laqueada que os samurais penduravam no cinto. Nelas carregavam especiarias, sal, ervas medicinais e às vezes o ópio que usavam para aliviar a dor de seus ferimentos.

O packaging também foi atualizado por Stefano Pilati e Fabien Baron. Agora o Opium exibe um visual mais limpo em um frasco que lembra uma caixa de tabaco chinesa, que deixa a luz passar, mas a torna densa e quente, em tons marrons, avermelhados e amarelos.

A tampa mantém o formato do original e ganha um tom dourado, em referência ao luxo associado à Yves Saint Laurent.

frasco do perfume

A fragrância está disponível na versão Eau de Parfum com vaporizador, nos tamanhos 30 e 50 ml. Também existe a versão Eau de Toilette nos mesmos tamanhos, mas também em 100 ml, e o Extrait de Parfum, uma versão concentrada em 7,5, 15 ou 30 ml.

Como seria de se esperar da Yves Saint Laurent, a linha conta com vários produtos de beleza: creme corporal, gel de banho, leite hidratante e o desodorante perfumado em spray.

Perfume Opium, da Yves Saint Laurent: uma história escandalosa ~ Editorial Perfumative

Yves Saint Laurent é considerado um dos estilistas mais importantes do século XX. Depois de trabalhar como diretor artístico da casa Dior, criou sua própria grife nos anos 60 e se concentrou na alta-costura, alternando-a com linhas de prêt-à-porter.

Colaborou com filmes e vestiu atrizes tão famosas quanto Catherine Deneuve e Claudia Cardinale. Também introduziu pela primeira vez o smoking feminino, e algumas de suas coleções usaram referências a grandes artistas como Picasso ou Mondrian.

Também se dedicará a produtos de beleza e cuidados com o corpo à margem da moda. O primeiro perfume da casa YSL é o Y, de 1964. Nos anos 70, nascem duas fragrâncias icônicas: Rive Gauche (1970) e Opium (1977).

Nos anos 80, o masculino Kouros (1981) ou o feminino Paris (1983). Dos anos 90 é a versão masculina do Opium, e nos anos 2000 podemos destacar Elle ou L’Homme, além de várias versões de seus grandes clássicos.

yves saint laurent opium

O Opium foi concebido em um momento em que Yves Saint Laurent queria se afastar das composições florais de corte clássico que havia lançado até então. O estilista desejava algo mais ruidoso e alinhado com seu espírito excêntrico e inconformista.

Com a missão de compor o que viria a ser uma verdadeira obra-prima de cheiro facilmente reconhecível, o francês contrata os perfumistas Françoise Marin, Raymond Chaillan e Jean-Louis Sieuzac.

O exotismo da China imperial e o luxo da opulência oriental servem de inspiração. Yves Saint Laurent quer evocar imperatrizes chinesas, concubinas, suas coleções de seda e brocados, suas viagens pessoais à Ásia e uma ideia de evasão vinda de suas próprias experiências com o LSD.

Os perfumistas apelam para a alquimia e criam um poderoso coquetel oriental, uma aposta no mínimo ousada, já que desde a Segunda Guerra Mundial as fragrâncias orientais estavam em declínio entre os consumidores.

A marca também vai explorar o imaginário de sensualidade da femme fatale em uma composição dramática do tipo diva. Seu estilo nada tinha a ver com as colônias naturais, crocantes e refrescantes que estavam na moda naquele momento graças à influência hippie.

Essa nova fragrância se chamaria Black Orchid. Mas ao ver o frasco em forma de inro vermelho, elaborado por Pierre Dinand, Yves Saint Laurent declara enfaticamente: “Este vai ser o maior perfume do mundo e vamos chamá-lo de Opium”.

opium original

O estilista o apresenta à sociedade de Nova York em uma festa de lançamento a bordo de um iate de luxo tão extravagante quanto a própria fragrância.

Entre acrobatas chineses, cascatas de fogos de artifício e estátuas douradas de Buda, estavam artistas e personalidades do jet set como Cher, Andy Warhol, Paloma Picasso, Truman Capote, Diana Vreeland ou os frequentadores do Studio 54.

Seu nome escandalizou o mundo e provocou grande rejeição em certos grupos que o consideravam uma apologia às drogas e uma falta de respeito ao conflito oriental das guerras do ópio. Seu nome chegou a ser censurado em alguns países.

Reforçando seu caráter controverso e polêmico, anúncios publicitários com a modelo Jerry Hall fotografada por Helmut Newton com os olhos fechados, jogada em um sofá e envolta em fumaça, como se estivesse sob efeito narcótico da droga.

Para finalizar, uma ação judicial por parte da Estée Lauder, que entendia que o Opium era uma cópia disfarçada de seu Youth-Dew, de 1953.

Naturalmente, tudo isso também serviu para catapultá-lo a uma fama e curiosidade quase instantâneas, que o transformaram em um dos perfumes mais vendidos da história.

Nos Estados Unidos, seus frascos se esgotavam continuamente. O mesmo acontecia na Europa. Não havia mulher francesa que não quisesse usar aquele perfume de imenso sillage e forte fixação, que grudava na pele e deixava rastros de seu cheiro nas roupas e nos travesseiros.

Com uma direção artística magistral na concepção e execução do líquido, além de uma estratégia de marketing ousada, Yves Saint Laurent conseguiu exatamente o que ambicionava com a criação do Opium: estabelecer um poderoso imaginário de marca.

Em pouco tempo, sua estética potente se tornaria tendência entre novos lançamentos de outras marcas, como Poison, da Dior, Obsession, da Calvin Klein, Coco, da Chanel, ou Cinnabar, da Estée Lauder, este último com um leve sabor de revanche.

Por questões legais, econômicas e sanitárias — algumas secretas, outras anunciadas — a divisão de perfumaria da YSL, sob o comando da L’Oréal, foi mudando ao longo dos anos a fórmula de seu perfume mais icônico.

Quando a fragrância já havia perdido muito de seu caráter inicial, havia duas opções: descontinuá-la para sempre ou criar um perfume totalmente novo sob o mesmo nome.

A Yves Saint Laurent opta pela segunda opção e contrata o perfumista Antoine Maisondieu para enfrentar o difícil desafio de reinterpretar o grande clássico. Maisondieu passa anos desenvolvendo o que viria a ser uma espécie de homenagem póstuma ao perfume Opium original.

Para uma nova fragrância, um novo packaging e uma nova campanha publicitária, dessa vez com o rosto de Karen Elson e fotografia de Mert & Marcus.

Versões

Versões houve, e muitas. Durante vários anos foi lançada a edição de verão Summer Fragrance, e também houve várias edições de colecionador, a última em 2013.

Belle d’Opium é o flanker em que se misturam cheiros provocativos como o do tabaco, o do incenso ou o do narguilé. Foi descontinuado em 2014, mas ainda é encontrado à venda em algumas perfumarias e lojas online.

De meados de 2014 é sua última versão: Black Opium, uma fragrância moderna de toques gourmand, com uma fusão de café, baunilha e patchouli.

versões do opium

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Atualmente a musa do Opium é a atriz Emily Blunt, embora muitas mulheres já tenham estampado esse perfume: Jerry Hall, Kate Moss, Linda Evangelista, Maria Carla Boscono, Malgosia Bela, Karen Elson…

Quem não se lembra do provocador e não menos polêmico anúncio estrelado por Sophie Dahl, com fotografia de Steve Meisel e direção artística de Tom Ford?

Aqui vai o último anúncio em vídeo para você conferir:

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© Todos os direitos reservados 2014.
Perfume Opium, da Yves Saint Laurent: um Clássico Reformulado

Ano de lançamento: 1977 / 2009

Família olfativa: Oriental Leve (subgrupo Clássico)

Perfumista: Françoise Marin, Raymond Chaillan e Jean-Louis Sieuzac (1977), Antoine Maisondieu (2009)

Notas de saída: bergamota, tangerina

Notas de coração: cravo, jasmim

Notas de fundo: âmbar, patchouli, baunilha

Personalidade: misteriosa, clássica, noturna

Preço aproximado (mercado europeu): 65€ (por 50 ml)

Aprovação dos consumidores7.7
Fixação na pele9
Projeção (rastro)8.5
Frasco7.7
8.2Overall Score
Valoraciones: 47
6.9

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