Poison, da Dior, é um perfume oriental floral. Complexo, radical, revolucionário e rico em matizes aromáticos complexos, é já todo um clássico da perfumaria moderna.

Apresentado como um misterioso veneno, tem um aroma de ecos orientais, com flores e especiarias de forte presença para ocasiões especiais.

Firmou-se como um dos best-sellers internacionais logo no ano do seu lançamento. Hoje não chega a ser tão vendido como J’Adore Dior, Miss Dior ou Hypnotic Poison, mas tem um lugar de destaque no mercado e milhares de admiradores.

Descobre todos os seus segredos aqui: que aroma tem, como é a sua estrutura aromática, o que opinam as pessoas que o usam, como é a sua longevidade e muito mais.

poison dior

Poison: sedução e tentação ao estilo Dior

Poison é único. Único por ser um desses raros perfumes que suscitam amores e ódios com a mesma intensidade. Outros com o mesmo poder seriam Angel, da Mugler, Loulou, da Cacharel, Opium ou Kouros, da YSL.

Mas único, sobretudo, pela sua estrutura olfativa inovadora, quase subversiva. A Dior deixa de lado os seus profusos e refinados bouquets florais para apostar em novas fórmulas, e apresenta um perfume muito original.

A primeira inovação está na sua saída de especiarias e ervas, equivalente a um murro de sensações olfativas. Essas sensações quase narcóticas são a abertura perfeita para o que vem a seguir.

Imagina um xarope com sumo de frutos vermelhos, a picardia da pimenta preta, uma explosão de frutos exóticos e aromas que evocam mel selvagem e vinhos maduros. Um acorde doce de tuberosa e pastilha elástica de uva.

E tudo isto temperado com uma fusão muito sexy de âmbar, almíscar, baunilha, rosas opulentas, uma tuberosa das mais carnais e um jasmim animálico e doce.

notas aromáticas

O resultado, como já saberás, está longe de ser romântico, simples, corrente ou de fácil digestão.

Poison é audacioso, tóxico, dramático, selvagem, insolente. É carnavalesco, perverso, escandaloso, fabuloso. Um perfume que combina com produções sofisticadas, roupas pretas, batons vermelhos, brocados, joias…

Joachim Mensing, reconhecido psicólogo das fragrâncias, afirma que monstros dos anos 80 como Poison e Opium são sobretudo fragrâncias feministas.

Simbolizam na perfeição a emancipação das mulheres, o seu crescente poder político e o seu espírito de independência.

Poison explora referências góticas e o imaginário da sensualidade oriental. Brinca ainda com fantasias do folclore, como os poderes mágicos da mulher, com os seus encantamentos e feitiçarias.

Convém saber que a fragrância que encontras hoje nas perfumarias sofreu algumas reformulações sanitárias. Estas puliram os excessos de certos compostos, mas nunca o seu espírito forte e intoxicante.

A excelência da sua execução técnica manteve-se apesar de qualquer alteração na sua fórmula.



Opiniões sobre o perfume

O que opinam as pessoas que o experimentam? Bem, a primeira coisa que chama a atenção é o seu índice de aprovação de 71%. O que significa que 7 em cada 10 pessoas que o cheiram o classificam como rico ou muito rico.

É um número surpreendente para um perfume que sempre polarizou opiniões, ainda que a verdade seja que muitas pessoas que o consideram rico afirmam que não se atreveriam a usá-lo.

As opiniões são categóricas e deixam-no muito claro: Poison é uma dessas fragrâncias que impõem respeito. É muito forte, escura, opulenta, intensa, pesada, poderosa, inebriante. Para alguns, sufocante e avassaladora.

Usá-la exige um estado mental muito específico, uma personalidade independente, muito génio e sobretudo uma grande autoconfiança.

dior

Muitas pessoas que o usam como perfume do dia a dia assinalam recorrentemente algo interessante. Apesar de ser um perfume grandioso e com grande presença, Poison tem um poder reconfortante.

Mas a sua aura mais familiar e balsâmica começa a manifestar-se algum tempo depois de secar. Por isso já sabes: se nunca o experimentaste na tua própria pele, dá-lhe uma oportunidade.

Entre os seus admiradores encontram-se mulheres muito fiéis que o usam há muitíssimos anos. Mas também vai conquistando novos utilizadores que se definem como curiosos e amantes de perfumes de culto. E não só mulheres.

Não são poucas as pessoas que se sentem fascinadas e intrigadas pela sua história. A sua capacidade de inebriar os sentidos e proporcionar uma experiência sensorial inesquecível é lendária.

A sua popularidade entre os homens também é bem conhecida; por isso muitas mulheres afirmam usá-lo em encontros românticos.

Quanto à durabilidade na pele, alcança a nota de 9,1 (de 10), sendo sem dúvida um dos perfumes femininos mais duradouros e resistentes disponíveis no mercado.

A sua projeção também é enorme, o seu aroma deixa rasto. E é por isso que muitos o odeiam tão intensamente.

Sobre este ponto, os utilizadores são unânimes: usa-o com moderação. Pequenas gotas de Poison rendem muito. Relação qualidade/preço imbatível.

Notas aromáticas

As notas que as pessoas detetam com maior facilidade são, respetivamente:

  • Tuberosa (nardo)
  • Ameixa
  • Uva/vinho
  • Incenso
  • Mel
  • Frutos vermelhos
  • Baunilha
  • Jasmim
  • Canela

Com Poison, a Dior resgata a alquimia da perfumaria ~ Editorial Perfumative

Em 1985 a Dior lança Poison, um perfume com um título inovador se tivermos em conta que a maioria das fragrâncias da casa francesa até então levava de alguma forma o nome do seu fundador (Miss Dior, Diorissimo, Diorella, Dior Dior, e por aí fora).

O perfume chegou num momento em que a Dior precisava de dar um ar de renovação à sua linha de perfumaria, que estava a cair num estereótipo clássico e antiquado.

Para a nova fragrância contratam Edouard Fléchier. Este perfumista francês queria “compor um oriental contraintuitivo com notas muito frutadas, jogando com o contraste e o excesso para produzir uma fragrância provocadora, ousada e perturbadora”. Poison acaba por ser a femme fatale dos perfumes Dior.

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— “No smoking. No Poison”. Diz-se que alguns restaurantes americanos penduravam cartazes com esta mensagem nos anos 80.

Para as notas de topo usa-se o frescor aromático do coentro russo, uma sensação frutada de ameixas e frutos silvestres, e o carácter do anis.

O coração está repleto de flores sensuais… nardos, cravos, rosas, envoltas em incenso, mel e canela.

Por fim, o fundo constrói-se à volta do opopanax, uma goma resinosa obtida de uma árvore africana, que resulta envolvente e balsâmica.

Ao opopanax junta-se âmbar, almíscares brancos, madeira de sândalo e cedro, que oferecem uma base muito duradoura e quente.

Poison é uma fragrância excessiva, própria dos anos 80. Dirige-se a mulheres com muita personalidade que queiram conseguir um carisma sedutor onde quer que vão.

Pela densidade do seu rasto pode resultar demasiado sufocante para uso no escritório e em espaços fechados, sem contar que para uso diário perde esse toque especial tão característico.

É, portanto, uma opção mais recomendável para ocasiões especiais, eventos, noites e serões românticos. Para mulheres a partir dos trinta anos.

O frasco

O frasco tem a virtude de estar em sintonia com a ideia do perfume e evocá-lo na perfeição.

O seu cristal de um profundo tom ametista ilustra uma fragrância escura, sedutora e quase diabólica. A forma em coração mas compacta lembra o frasco em forma de maçã de um misterioso elixir, coroada por uma elegante tampa transparente que deixa ver o vaporizador dourado. frascos

Também é dourado o anel do gargalo, assim como as letras que se destacam sobre o violeta com o nome do perfume e da marca francesa. Este frasco inspira-se num design de Maurice Marinot, mestre vidreiro dos anos 20.

Vem numa caixa de um verde vibrante, surpreendente e chamativo. O verde é uma cor associada ao pecado e ao veneno, à inveja, e por isso combina com a ideia de Poison.

O perfume, na versão eau de toilette, vende-se nos tamanhos 50 e 100 ml com vaporizador. Também podes comprar o Extrait de Parfum, com maior concentração da essência.

A linha de perfumes Poison

Desde 1985, Poison tornou-se num dos universos mais fascinantes da Dior. Esta saga conta com várias versões.

A primeira foi Tendre Poison, de 1994 (descontinuada), que como o próprio nome indica suavizava e refrescava a densidade do perfume original com notas de tangerina, bergamota, frésia e flor de laranjeira.

Em 1998 chega Hypnotic Poison, num intenso tom vermelho, com amêndoa amarga, alcaravia, jacarandá, jasmim Sambac, baunilha e almíscar entre as suas notas. Esta edição continua disponível para venda.

2004 é o ano de Pure Poison, também continuado até hoje. O seu frasco torna-se branco e puro, lembrando a sua composição assente em flores brancas: o jasmim, a flor de laranjeira e a gardénia.

versiones del perfume

Em 2007 lança-se Midnight Poison, num tom azul e preto que evoca a noite. Esta fragrância foi descontinuada em 2009.

Além das versões principais, estas por sua vez tiveram reinterpretações limitadas. É o caso de Hypnotic Poison Eau Secrète, Hypnotic Poison Eau Sensuelle, Hypnotic Poison Extrait de Parfum, Pure Poison Elixir, entre outros títulos.

Prémios e publicidade

Quando se completaram quinze anos desde o seu lançamento no mercado, Poison foi adicionado ao Fragrance Hall of Fame dos prémios FiFi.

Esta categoria só é alcançada por fragrâncias que estão à venda há pelo menos 15 anos e se tornaram clássicos da perfumaria moderna.

“Le parfum est le poison du coeur” (o perfume é o veneno do coração), dizia Paul Valéry. Sobre esta ideia entre romântica, sedutora e perigosa assenta a publicidade de Poison.

A Dior tem oferecido desde 1985 diversos anúncios a brincar com a ideia da morte, da serpente venenosa ou da pantera negra como noção de perigo, a poção de veneno, e uma lista de musas sedutoras com as unhas pintadas.

Pouco a pouco os anúncios da fragrância original foram sendo substituídos pelas campanhas publicitárias das novas edições. Assim, Monica Bellucci deu o rosto a Hypnotic Poison e Eva Green a Midnight Poison.

Agora é a tua vez… o que achas do perfume Poison da Dior?

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